quarta-feira, 6 de agosto de 2008

RN tem o menor custo por metro quadrado do país


O custo nacional por metro quadrado subiu de junho para julho06/08/2008 - Tribuna do Norte
O Rio Grande do Norte tem o menor custo do metro quadrado do país. De acordo com a conclusão de julho do Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi), calculado pelo IBGE em convênio com a Caixa Econômica Federal, o valor potiguar é de R$ 560,07. Na outra ponta, com o maior custo do Brasil está Roraima com R$ 732,40, seguida do Rio de Janeiro (R$ 721) e São Paulo (R$ 715,37). Em 2002, o Congresso Nacional aprovou, através da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), a adoção do Sinapi como referência para delimitação dos custos de execução de obras públicas.A inflação medida pelo Sinapi ficou em 1,03% em julho, recuando em 0,21 ponto percentual em relação a junho (1,24%). Porém, o resultado ainda está acima do registrado em julho do ano passado (0,41%). Neste ano, a taxa situa-se em 6,36%, também acima da variação observada no mesmo período do ano passado (3,58%).O levantamento apontou que o custo nacional por metro quadrado passou de R$ 637,69 em junho para R$ 644,23 no mês passado. Desse valor, R$ 369,04 se referem a despesas com materiais e R$ 275,19, com mão-de-obra. Na análise regional, o Sudeste registrou o maior custo por metro quadrado com R$ 684,45, seguida das regiões Sul (R$ 640,05), Norte (R$ 631,36) e Centro-Oeste, com R$ (619,64). A região Nordeste registrou o menor custo, em comparação com as outras, ficando em R$ 598,66.No Nordeste, Alagoas é o estado que possui o maior valor cobrado: R$ 638,75. Em segundo lugar, ficou a Bahia, com R$ 626,10, seguida do Maranhão, onde o custo chega a R$ 604,18.
SaláriosA maior variação do Índice da Construção Civil em julho foi registrada na região Norte (2,10%). De acordo com o IBGE, o resultado foi influenciado pelo Amazonas devido aos reajustes salariais dentro do acordo coletivo.A região Centro-Oeste veio em seguida, com alta de 2,02%, pressionada pela taxa de Mato Grosso, também devido aos reajustes nos salários. O índice da região Sul variou 0,92%, enquanto Nordeste e Sudeste tiveram variações iguais (0,79%).

Enade: Curso de Odontologia da UFRN é o melhor do Brasil



Dos 3.239 cursos superiores do Brasil avaliados pelo Enade 2007 (exame nacional de desempenho de estudantes), apenas 25 alcançaram nota máxima 5, sendo oito de instituições Estaduais e 17 de Universidades Federais. Dentre os aprovados, está o de Odontologia da UFRN, eleito o 5º melhor curso superior do país, dentre as 16 áreas do conhecimento. Os dados foram apresentados nesta quarta-feira (06).
Para alcançar essa colocação, o curso de Odontologia da UFRN obteve nota máxima nos três principais conceitos do exame: a nota do Enade, IDD (índice de desempenho que mostra o quanto de conhecimento a instituição agregou ao aluno) e o CPC, nova modalidade que faz uma média entre a prova, o índice de desempenho e inserindo uma avaliação dos professores e da infra-estrutura da instituição.
Além de Odontologia da UFRN, os outros quatro melhores cursos do país são: Medicina na Universidade Federal de Mato Grosso; Medicina na Faculdade Federal de Ciencias Médicas de Porto Alegre, Medicina na Universidade Federal do Rio grande do Sul e Nutrição na Universidade Federal de Viçosa.
Avaliação
O Enade é uma avaliação obrigatória para os alunos que são selecionados através de uma amostragem feita pelo Inep. A avaliação faz parte do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) e visa avaliar a qualidade dos cursos de graduação.
O Exame 2007 foi realizado em Novembro e avaliou 16 áreas do conhecimento, incluindo os cursos de agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, tecnologia em radiologia, tecnologia em agroindústria, terapia ocupacional e zootecnia.
De acordo com o Instituto Nacional de de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), foram avaliados 3.239 cursos, de 753 instituições do país. Foram convocados 145.380 ingressantes e 112.962 concluintes, além de 1.365 voluntários.
A seleção dos alunos para o Enade 2008 acontece em 26 de setembro. Já as provas serão aplicadas no dia 9 de novembro.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Patrocínio: retorno através de visibilidade, vendas e comportamento


Atualmente é grande o número de empresas que associam suas marcas a eventos musicais, esportivos, culturais e - mais recentemente - de responsabilidade sócio-ambiental. O patrocínio é mais uma das ferramentas do Marketing que leva experiência ao consumidor com o objetivo de fidelizá-lo ou ganhar a simpatia dele. O difícil é saber qual o retorno exato que esta ação traz para o patrocinador, para a marca e, claro, para as vendas.
Marcas como Coca-Cola, Petrobras, Fila e Lotto fazem parte do cenário de patrocínios no Brasil através de eventos e esportes e lutam para conseguir mensurar o retorno do investimento. Pesquisas, análises financeiras, mídia espontânea e aumento em vendas são opções sólidas para mensurar uma ação de patrocínio. A visibilidade da Coca-Cola ao patrocinar um evento musical no Nordeste faz com que as pessoas associem a marca a um momento divertido e lembrem que ela proporcionou uma experiência positiva.
Impacto para quem vê e para quem senteQuando uma marca deixa de ser uma imagem corporativa e passa a oferecer experiência e emoção, ela automaticamente começa a ser vista pelo consumidor de forma diferente e é provável que fique na mente deles por bastante tempo. “Para patrocinar um evento é melhor ter exclusividade para não ser mais uma no meio de muitas outras. O ideal é quando o nome da marca faz parte do nome do evento”, diz Paulo Sérgio Oliveira, Gerente de Marketing da Norsa, empresa de bebidas fundada pela união dos franqueados Coca-Cola da Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
De acordo com Paulo Sérgio, é possível até que um patrocínio gere impacto - talvez com menos intensidade - em pessoas que não participaram de um evento. Mesmo sem fazer parte da tribo, o consumidor tem noção do tamanho do evento e sabe qual é a marca patrocinadora. “Através do produto Burn (bebida energética da Coca-Cola) criamos um efeito duplo porque quem esteve no festival se divertiu e fora dele as pessoas associam a marca ao evento”, conta Oliveira em entrevista ao Mundo do Marketing.
Para mensurar o retorno que os eventos trazem para uma marca é preciso perceber como o mercado reage. De acordo com o Gerente de Marketing da Norsa, o importante é dar seqüência ao trabalho periodicamente. “É preciso haver continuidade de patrocínios para que haja consolidação na cabeça do consumidor. O departamento de Marketing tem que se programar para fazer estas ações por muito tempo”, explica.
Esporte abre um leque de opçõesOutra forma de levar experiência ao consumidor é através do patrocínio ao esporte. A paixão do torcedor pelo seu time - seja em qual modalidade for - é um ótimo álibi para vincular uma marca e torná-la admirada de forma rápida e racional. No caso do Futebol, por exemplo, o torcedor enxerga a empresa patrocinadora de seu clube com mais atenção e respeito, tornando aquela marca a primeira da lista na hora da compra.
O futebol é fonte de grande retorno para as marcas patrocinadoras no Brasil porque, independentemente do resultado dentro de campo, o torcedor admira e consome a marca em qualquer situação e as estratégias podem variar de acordo com o mercado. “Podemos patrocinar times com objetivo de desenvolver a marca em lugares com pouca penetração e, assim, entrar com força na região através de ações de ativação de patrocínio”, aponta Francisco Machado (foto), Diretor do Grupo Dass, detentor das marcas Umbro, Try-On, Kappa e Fila.
Entrar em regiões desconhecidas não é o foco da Coca-Cola, que evita se associar a eventos ou marcas em ascensão. Pelo menos no Nordeste do país, a companhia prefere estar vinculada ao que já é do conhecimento dos potenciais consumidores. “Damos preferência às empresas mais consolidadas no mercado. Não acredito que patrocinar algo em construção seja uma boa opção”, avalia Paulo Sérgio Oliveira, da Norsa. O discurso de Oliveira é embasado por João Augusto Simone, Diretor de Operações da Lotto no Brasil. “É mais interessante patrocinar um clube grande, mesmo que custe mais caro, porque traz um retorno maior”, diz.
Usar o patrocínio para introduzir a marca em novos mercados é uma estratégia comum em muitas empresas que investem no futebol brasileiro. O prestígio que a marca alcança com os torcedores de um clube acaba gerando fidelização. “Os torcedores provavelmente vão olhar para a marca patrocinadora de seu clube na hora de decidir a compra. Funciona como a estratégia do cavalo de tróia. Depois que a marca entra no mercado, se espalha sozinha”, compara Simone (foto), da Lotto.
Inteligência como estratégia de patrocínioMesmo com pouca verba disponível para investir, existem outras formas de se fazer patrocínio e obter um retorno satisfatório. Partindo do princípio de que patrocinar é mexer com aspectos intangíveis, qualquer marca tem grande oportunidade de oferecer seus serviços ou produtos de forma consistente, com reciprocidade, através da aproximação de pessoas, sensibilidade e emoção, de forma simples, barata e eficiente.
Diferente da Europa e da América do Norte, o Brasil ainda precisa se desenvolver no processo de patrocínio esportivo. Mas, através da uma boa estratégia é possível atingir o objetivo. “Se a padaria quiser se aproximar de um clube de futebol, fica difícil colocar a marca na camisa, mas é possível associar a marca ao clube fornecendo pães para todas as categorias de futebol e assim fazer a veiculação usando a marca do clube”, analisa Francisco Machado, Diretor do Grupo Dass.
Esta estratégia por parte de pequenas empresas é bastante comum na Europa e nos Estados Unidos, porém pouco utilizada no Brasil. De acordo com o executivo do Grupo Dass, existem clubes estrangeiros com diversos patrocinadores. “Os clubes são patrocinados por cerca de oitenta marcas, mas só duas delas estão nos uniformes”, garante. Estas são oportunidades que podem ser ajustadas ao mercado brasileiro sem que consumidor deixe de comprar um produto porque a marca patrocina um clube rival.
Cultura e meio-ambiente fortalecem a comunicaçãoPatrocinando diversos projetos voltados para a cultura e responsabilidade social, a Petrobras investe em cerca de mil projetos culturais como cinema, artes cênicas, música, literatura, entre outros. “A empresa busca agregar valor à reputação de sua marca com o patrocínio a projetos que valorizam e incentivam a cultura brasileira, com eventos de reflexão e preservação”, conta Eliane Costa, Gerente de Patrocínio da Petrobras.
De acordo com Eliane, o retorno das ações de patrocínio da Petrobras não é medido através de visibilidade ou retorno de mídia. “A Petrobras busca demonstrar seu compromisso com a Responsabilidade Social e com o crescimento do país”, afirma.
Apesar de ser uma forma de ressaltar a marca levando em consideração o número crescente de empresas que se preocuparem com a preservação ambiental, a estatal petrolífera tem investimentos que visam um retorno para a marca. “A manutenção da parceria com o Grupo Galpão, Grupo Corpo e Orquestra Petrobras Sinfônica, tem como objetivo obter retorno institucional e de veiculação de marca”, completa Eliane.

Hector NuÑez: ‘Wal-Mart quer investir nas classes C e D’


Junior Santos03/08/2008 - Tribuna do Norte Vinícius Albuquerque - Repórter
Impressionado com a qualidade da concorrência no setor de supermercados no Rio Grande do Norte e contente com o trabalho que sua rede vem desenvolvendo no Estado, o presidente do grupo Wal-Mart no Brasil, Hector Nuñez, saiu satisfeito de sua visita a Natal na semana passada. Atualmente, com cinco lojas na capital – duas da bandeira Hiper, duas Bompreço e uma Sam’s Club – o grupo está atento às possibilidades do mercado em expansão. Em nível nacional, eles têm como principal concorrente o Carrefour que, entre os grandes grupos atuantes em Natal, divide hoje com o Nordestão a fatia de clientes da região que mais cresce na cidade. Por isso, o cubano destaca as possibilidades de crescimento que ainda existem não só na capital, mas também no interior do estado. Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, ele fala das expectativas de investir cada vez mais na parcela de clientes compostas pela população de classe C e D. Analisa os efeitos da inflação na área de alimentos e explica as estratégias do grupo para driblar o impacto dos preços para o consumidor. Hector Nuñez assumiu a presidência do Wal-Mart em janeiro deste ano, substituindo ao espanhol Vicente Trius que assumiu as operações da empresa na Ásia. Já atuou como diretor da Hertz (do ramo de locação de automóveis), na empresa de sucos Del Valle e, mais recentemente na Coca-Cola, onde exerceu cargos de presidente da engarrafadora no Maranhão e diretor de Novos Negócios, uma posição de destaque. Antes de ser escolhido como presidente, Nuñez passou seis meses no Wal-Mart na posição de vice-presidente.Qual o motivo da sua visita ao Rio Grande do Norte?Esta é a primeira visita que eu faço ao estado como presidente do grupo Wal-Mart para conhecer um pouco mais do mercado, obviamente, visitar as lojas nossas aqui em Natal, que temos cinco lojas, três delas novas, oriundas de um investimento de R$ 70 milhões no ano passado. Vim conhecer nossos associados, as lojas, ver nossos clientes. Tivemos o prazer também de nos encontrar com a governadora (Wilma de Faria) com o prefeito de Natal (Carlos Eduardo Alves) para discutir nossos investimentos, o futuro e as possibilidades de acordo entre a nossa empresa, o estado e a cidade. E qual a avaliação que o senhor faz do mercado do Estado?Na nossa ótica, os nossos investimentos aqui foram muito bem fundamentados. Estamos muito satisfeitos com o desempenho que as nossas lojas estão tendo aqui. O desempenho e o engajamento dos associados do Wal-Mart e do Bompreço. E obviamente nossa avaliação é muito positiva. . Diante de tantos supermercados existentes hoje na cidade, o senhor acha que ainda existe espaço para a rede crescer?Absolutamente. Acho que tem espaço para crescer não só na Grande Natal, mas no interior do estado que tem cidades importantes como Mossoró, tem o lado do Seridó que é importante, todo o Vale do Açu que tem muito potencial. Acho que o Estado tem feito investimentos, um trabalho que está produzindo ao longo dos anos, dá uma possibilidade de crescimentos acelerados. Qual o orçamento do Wal-Mart para novas lojas neste ano?Neste ano, estamos investindo R$ 1,3 bilhão no Brasil para abertura de 36 lojas. Mais 118 reformas das lojas atuais, que já existem. Isso também inclui um investimento em um novo centro de distribuição. O Nordeste está bem contemplado nessas ações? Quantas lojas já temos previstas?Sim. O Nordeste está muito bem contemplado. Infelizmente, não posso dizer quantas lojas, mas posso afirmar que, historicamente, desde a nossa aquisição do grupo Bompreço, há três ou quatro anos, estamos investindo aproximadamente 50%, até um pouco mais que isso, no Nordeste.
Quantos empregos diretos o Wal-Mart gera no Brasil?Hoje nós temos mais de 72 mil funcionários diretos. No mundo todo são quase dois milhões de empregados. Existe alguma perspectiva de ampliação para a Zona Norte, onde o grupo ainda não atua, e que é a região que mais cresce hoje na capital?De fato, nós temos grandes oportunidades em toda a cidade de Natal, particularmente agora com a parte norte. O interessante do Wal-Mart para o Brasil, e para o Rio Grande do Norte também, é que a rede possui muitos e diferentes formatos que atendem diferentes populações, diferentes ocasiões de consumo. Então, hoje aqui nós temos supermercados, hipermercados e temos o clube de compras Sam’s. Ainda falta uma oportunidade para implantarmos a nossa marca Todo Dia que é um supermercado de bairro, focado na classe de menor renda. Este é um mercado pequeno de 600 metros quadrados que realmente oferece o melhor de qualidade de alimentos a preços muito acessíveis. E temos também outro formado chamado Maxxi, que é um atacado que atende pessoas jurídicas e físicas, também focado nesses mercados e nessa população de menor renda. Acredito que a Zona Norte, como também Natal, como também o Rio Grande do Norte têm capacidade para crescer mais utilizando todo o portfólio de marcas que nós temos.
O Wal-Mart está preocupado com as classes C e D?Absolutamente. Tanto é que se você olha para nossa estratégia, os nossos investimentos de hoje e de futuro serão muito mais voltados para as classes de menor renda, as classes C e D, e por isso temos esses dois formatos que falamos – Todo Dia e Maxxi – sendo pessoa física, sendo pessoa jurídica. Então, 60% da população brasileira se encontra nessa classificação. Eu acho que isso mostra uma grande oportunidade do varejo de atender essa parcela que quer, necessita e procura viver melhor.
Como o senhor vê o aumento no preço dos alimentos e as influências que isso tem trazido ao setor supermercadista? Há algum prejuízo para o grupo?Olha, o Brasil está vivendo um fenômeno global, não está vivendo um fenômeno brasileiro. E acho que tivemos as tendências (de aumento nos preços) no mês de maio e junho. Estes foram o ápice desta inflação de alimentos e eu acredito em uma estabilização um pouco mais daqui pra frente. Nós, como grupo Wal-Mart/Bompreço, trabalhamos muito para reduzir custos, ter mais eficiência, estando próximos aos nossos fornecedores, para não repassar ao máximo possível esse aumento de custos que está existindo hoje pela inflação. Mas o mercado cresce, a busca por alimentos e produtos não-alimentícios continua crescendo. Nós temos uma política muito clara de ter os preços mais baixos que nossos concorrentes todos os dias. E um exemplo disso é que a cesta básica da nossa rede está 9% mais barata que a pesquisada pelo Dieese (Departamento Interssindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) aqui em Natal. É o compromisso mesmo do grupo de ter preço baixo todos os dias. Vocês estão perseguindo o diferencial da marca própria com mais afinco?Sim. Com certeza, a marca própria faz parte da nossa estratégia de crescer e oferecer os clientes produtos de alta qualidade a um preço mais acessível. Então nós vamos conseguir continuar buscando e perseguindo o nosso crescimento nesse mercado de marca própria. E ele é uma parte importante para o nosso negócio. Nós temos em nosso catálogo mais de 5 mil itens de produtos como marca própria. O grupo Bompreço tem um cartão de crédito bastante difundido pela possibilidade de ser utilizado fora da rede de supermercados. Como o senhor avalia essa questão do crédito para os consumidores?Primeiramente, o grupo Wal-Mart não detém o cartão. Temos um acordo comercial, uma parceria muito boa, com o Unibanco que detém o cartão Hipercard. Sobre o crédito, obviamente, o acesso melhorou muito com a estabilidade econômica nos últimos anos que tem sido um instrumento fundamental no crescimento do varejo brasileiro. Lembrando que ainda é um crédito pessoal, que ainda é muito baixo no percentual do PIB, cerca de 11%. Quando se vê esse percentual diante de outros países em desenvolvimento e desenvolvidos, o Brasil ainda está muito aquém do limite possível que podemos ter como crédito ao consumidor. Quanto o cartão representa no faturamento do grupo?Ele difere por região. Eu não poderia dizer o percentual exato, mas ele é bastante significativo e importante. O Wal-Mart tem nos Estados Unidos uma parceria com hospitais e clínicas. Aqui no Brasil já existe este modelo?Ainda não temos este modelo. Os Estados Unidos têm um trabalho bem sucedido com terceiros que alugam espaços dentro de nossas lojas para oferecer um atendimento clínico a preços bastante acessíveis e com uma qualidade muito boa. No Brasil inteiro, em hiper e supermercados já temos uma galeria de outros produtos e serviços que agregam a experiência de compra dos nossos clientes. O grupo tem pretensão de entrar também no nicho do comércio eletrônico, o e-commerce?Sim. Nós anunciamos no início do ano que iríamos entrar no comércio eletrônico no segundo semestre e isso continua valendo.
Isso seria para todos os tipos de produtos vendidos?Vamos trabalhar no lado de alimentos para acesso a todos os brasileiros em território nacional. E a concorrência aqui na cidade? É boa? Temos um grupo local muito forte, o Nordestão.Muito boa! Gostosa (risos)! Conheço o Nordestão. São muito bons concorrentes, boas lojas, muito profissionais. Acho que o mercado aqui está em crescimento e a concorrência é muito leal, muito saudável. E todo mundo ganha e todo muito cresce.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Governo estabelece novas regras para call-centers



Os serviços de atendimento ao consumidor pelo telefone deverão se adequar a novas regras. As novas normas foram estabelecidas pelo Ministério da Justiça, por meio do DPDC (Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor, com aprovação do presidente Luís Inácio Lula da Silva, que assinou ontem o decreto, em solenidade no Palácio do Planalto. O objetivo é melhorar a qualidade nesse tipo de relacionamento entre empresas e consumidores, setor campeão de reclamações em diversos órgãos de defesa do consumidor. A nova lei atingirá as empresas nas áreas de transportes terrestres, água, energia, planos de saúde, bancos, telecomunicações e aviação civil.
Novas regras são mais rígidasEntre as novas regras, o decreto obriga as empresas a oferecer SAC 24 horas, todos os dias da semana, sem folga nos feriados, através de apenas um número de telefone, mesmo que a companhia ofereça serviços diferentes.
As companhias deverão resolver solicitações e reclamações de consumidores em até cinco dias úteis, enquanto que pedidos de cancelamento deverão ser atendidos imediatamente. Ficam proibidas ainda a veiculação de mensagens publicitárias no tempo de espera para o atendimento e a transferência da ligação para mais de um atendente. A nova lei exige também a opção de reclamação e cancelamento disponível entre as primeiras citadas em cada menu eletrônico, que também deverão sempre oferecer o contato direto com um atendente. Todas as ligações terão que ser gravadas e ter seu histórico registrado e guardado por dois anos. O consumidor que o exigir deverá recebê-lo em um período de até 72 horas. Multa pode chegar até R$ 3,2 milhõesAs empresas têm quatro meses para se adequarem às normas. O prazo inicial era de 60 dias, mas, com a pressão por parte das empresas, foi adiado para 120 dias. A partir daí, quem descumprir poderá ser autuado pelo Código de Defesa do Consumidor e pagar multas de até de R$ 3,2 milhões.
"Não víamos qualquer possibilidade de melhoria no atendimento dado ao consumidor. Há anos uma regulamentação vem sendo discutida, houve diversas audiências públicas. O mercado corporativo já estava ciente disso", conta Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da Pro Teste, órgão de defesa do consumidor que participou da elaboração das novas regras. Para Nelise Zymberg, diretora executiva da Zymberg Marketing Direto, o principal motivo que leva as companhias a adotarem uma falta de cuidado nos SACs é o alto custo. "Ainda existe uma cultura empresarial muito focada em produto. Gasta-se muito com propaganda e Marketing e pouco em relacionamento. As empresas precisam saber que a venda não termina quando o consumidor paga, mas sim começam", salienta. Novas regras para o telemarketing também podem surgirO decreto não aborda o tempo máximo de espera para ser atendido, uma das maiores reclamações dos consumidores. Além disso, ficaram de fora o contato feito pela internet (como e-mail ou chats) ou ainda o contato pelo telefone feito pela empresa, o chamado telemarketing. "Também já notamos um abuso nesse tipo de serviço e já vemos movimentações no governo que podem até mesmo inviabilizar a área. Acontece como nos SACs: as empresas trabalham com equipes não qualificadas, sem regras ou padronizações de atendimento estabelecidas", diz Dolci. Em reação ao anúncio do novo decreto, a Associação Brasileira de Telesserviços (ABT) soltou um comunicado classificando a atitude do Ministério da Justiça como "a não mais adequada" e pede um prazo maior para atender as novas demandas, apesar de defender uma regulamentação no setor.
Já a Associação Brasileira de Marketing Direto apóia a iniciativa e diz que colaborará por meio PROBARE – Programa Brasileiro de Auto-Regulamentação do Setor de Relacionamento. O órgão, apesar de ter a ABT como uma das associações criadoras, junto com a Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente e a ABEMD, também manifestou apoio às novas medidas. Zymberg acredita que a nova lei ajudará as prestadoras de serviços de CRM: "Isso é uma conquista, meio que à força, dos consumidores. Esses 120 dias servirão para mostrar ao mercado quais empresas estão adequadas e preocupadas em atender melhor o cliente, sem perder para a concorrência", diz.

Lina Vieira ocupa a secretaria nacional da Receita Federal


Lina Vieira foi recebida por Guido Mantega após sua nomeação no cargo01/08/2008 - Tribuna do Norte . Depois de ser secretária de Tributação do Rio Grande do Norte duas vezes, coordenadora do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e superintendente da 4ª Região Fiscal da Receita Federal, Lina Vieira foi oficialmente nomeada ontem secretária nacional da Receita Federal, um dos cargos mais importantes do Ministério da Fazenda. Ela ocupa agora o lugar que era de Jorge Rachid, um dos últimos integrantes da equipe do ex-ministro da Fazenda Antônio Palocci que ainda permanecia no governo.Primeira mulher a ocupar o posto, Lina foi nomeada oficialmente ontem, através de nota no Diário Oficial da União (D.O.U.). Agora, ela é a autoridade máxima do órgão responsável por arrecadar impostos, fiscalizar empresas e pessoas físicas e cobrar tributos em atraso.Segundo a agência de notícias Reuters, a indicação de Lina foi do secretário-executivo do ministério, Nelson Machado. A reportagem tentou entrar em contrato com a secretária ontem, mas a assessoria de comunicação da Receita informou que ela não estava indisponível. Contudo, na imprensa nacional já circulam notícias sobre o perfil austero de Lina e suas críticas ao Supersimples (Simples Nacional), devido à ameaça de perda de arrecadação dos entes públicos. CurrículoFormada em direito pela Faculdade de Direito Mackenzie de São Paulo em 1974 e pós-graduada em direito tributário pela Escola de Administração Fazendária (Esaf), a nova secretária da Receita Federal entrou no Ministério da Fazenda em 1976 como auditora fiscal. Ela foi responsável pela Divisão de Fiscalização da Receita Federal em Natal, no Rio Grande do Norte e delegada do órgão no mesmo estado. Também coordenou o núcleo da Esaf em Natal e foi conselheira do Ministério da Fazenda no 1º e 2º Conselho de Contribuintes.Ela esteve à frente da Secretaria de Tributação do RN (SET) em dois governos: de 1995 a 1998, no do atual presidente do Senado, Garibaldi Alves Filho; e de 2003 a 2007 na gestão de Wilma de Faria, quando Lina também representou o Ministério da Fazenda no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) como coordenadora das Secretarias de Fazenda, Receita, Tributação e Finanças dos Estados e do Distrito Federal. Lina deixou a SET em maio do ano passado, para se tornar superintendente da Receita Federal da 4ª Região, com sede em Recife.Rachid era o último da equipe de PalocciSão Paulo - À frente da secretaria desde o início do primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em 2003, Jorge Rachid era o último secretário em exercício na Fazenda nomeado pelo ex-ministro Antonio Palocci.Durante sua gestão, o recolhimento de tributos bateu recordes sucessivos em meio a um cenário de crescimento econômico. A arrecadação seguiu em alta mesmo após a derrubada da CPMF pelo Congresso em dezembro do ano passado, considerada uma das piores derrotas políticas do governo Lula.No mandato de Rachid, o Fisco tornou-se uma instituição ainda mais poderosa ao incorporar, em 2007, as estruturas de arrecadação e fiscalização do Ministério da Previdência Social e ser transformado em Receita Federal do Brasil - ou Super Receita, como ficou conhecida.