sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Salário mínimo de R$ 465 passa a valer a partir deste domingo


O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, confirmou nesta sexta-feira que a partir deste domingo (1º) passa valer o salário mínimo de R$ 465, o que representa aumento real (descontada a inflação) de 5,7% sobre o valor anterior, de R$ 415.

Segundo Lupi, no governo do presidente Lula (desde 2003), o aumento real acumulado do salário mínimo está em 46,05%.

"Esse aumento representa beneficiar mais de 45 milhões de pessoas, entre aposentados e pensionistas", afirmou Lupi em anúncio feito hoje no Rio.

"[O aumento] Será uma forte fonte de aquecimento [da economia] no Brasil, com reflexo no consumo, vendas e emprego", disse Lupi. Ele afirmou ainda que, com o aumento do mínimo, cerca de R$ 21 bilhões a mais passam a circular por mês na economia.

Sobre as demissões anunciadas no país nas últimas semanas, Lupi afirmou que o governo estuda um plano de seguro-emprego, para estimular as empresas a manterem seus empregados. sem dar mais detalhes, o ministro explicou que o projeto ainda está em discussão.

Em relação ao Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que contabiliza o número de empregos com carteiras assinadas, Lupi afirmou que a expectativa é positiva, mas disse acreditar que janeiro e fevereiro ainda serão meses fracos por conta da crise internacional. O Caged registrou o fechamento de 654 mil postos de trabalho em dezembro, mais que o dobro da média registrada para o mês.

Sobre os setores da economia afetados com a crise, Lupi citou o automobilístico, que já melhorou com os incentivos fiscais (redução do IPI), e o de hotelaria. Segundo ele, o segmento está com queda em relação ao ano anterior, mas nada alarmante.

Potigás anuncia redução no preço Gás Natural


A medida beneficiará os segmentos automotivo, industrial, residencial e comercial30/01/2009 - Tribuna do Norte
O Gás Natural Veicular (GNV) vai chegar mais barato aos postos do Rio Grande do Norte a partir de amanhã. A Companhia Potiguar de Gás (Potigás) – responsável pela distribuição do produto os revendedores – anunciou ontem aos seus clientes a redução de 3% no preço praticado hoje. A queda se deve ao ajuste de preço feita pela Petrobras. Porém, a diminuição pode não chegar integralmente aos consumidores.O diretor técnico da Potigás, Geraldo Pinto, afirma que a mudança ocorre a partir de 1º de fevereiro, mas esclarece que não há como garantir se os motoristas sentirão a diferença ao abastecer. “O preço praticado hoje pelos postos é livre. O nosso repasse é de 3%, mas não sabemos se a redução também será integral aos consumidores”.O diretor administrativo da Potigás, Joaquim Tomaz, declara que a medida irá beneficiar os segmentos automotivo, industrial, residencial e comercial do Rio Grande do Norte, que pagarão mais barato pelo combustível que rende mais, é limpo, seguro e ecologicamente correto.Segundo o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP), o preço médio de repasse às distribuidoras de Natal era de R$ 1,36. Com o reajuste negativo de 3%, o preço deve cair para R$ 1,32. Já o valor cobrado ao consumidor pelo metro cúbico do GNV na capital era de R$ 1,82. A diferença entre o preço de venda às distribuidoras e consumidores é de 33%.Se ocorrer, o reajuste afetará uma frota de 40,7 mil veículos potiguares que possuem sistema de gás natural. O número representa 6,3% da frota de 645 mil veículos registrada pelo Departamento Estadual de Trânsito (Detran RN).Através de sua assessoria de imprensa, o presidente do Sindicato do Comércio de Derivados de Petróleo do Estado (Sindipostos RN), Ismar Medeiros, informou que como a entidade não tem controle sobre os preços praticados e, por isso, não há como saber se haverá redução aos consumidores. Ele lembrou que o último reajuste de preços de 10,9% foi absorvido pelo mercado sem repasse.
QuedaEntidades de representação nacional, como a Associação Brasileira das Distribuidoras de Gás (Abegás) e a Associação Brasileira das Agências Reguladoras se reuniram e entregaram em dezembro um documento ao Ministério das Minas e Energia. O pedido era por uma ação do órgão, junto a Petrobras, para que pudesse ser reformulado o cálculo, para que as oscilações no preço fossem suspensas, estabelecendo que o preço tarifado a partir de fevereiro seja mantido no restante do ano. Em maio próximo, a Petrobras fará novo ajuste no preço do gás natural, ajuste esse que leva em conta a variação do petróleo no mercado internacional, IGPM (FGV) e taxa de câmbio (dólar), existindo a expectativa de uma nova redução, a depender, principalmente, da cotação do petróleo no mercado externo.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Souza Cruz internacionaliza porfólio e aproxima-se do varejo para vender



A impedição legal de diversas ações de divulgação para produtos derivados de nicotina tem motivado a Souza Cruz a procurar alternativas para promover seus produtos. Com restrições que vão muito além da proibição de peças publicitárias - é proibido também, por exemplo, patrocínio a eventos esportivos e culturais, ações de sampling ou promoção com direito a prêmios -, a companhia com 105 anos de estrada está procurando aproximar-se cada vez mais dos varejistas e revitalizar seu portfólio com marcas internacionais. No caso, as marcas pertencentes à companhia British American Tobacco, da qual a empresa nacional é subsidiária.
Após amargar o fracasso com a vinda das marcas Pall Mall e Kent, a empresa trouxe recentemente a Dunhill e agora traz Vogue, substituindo a nacional Capri, que deixa o mercado após 43 anos.
Internacionalização do portfólio visa agregar valorA Dunhill chega ao Brasil sob a chancela da Carlton, que agora estampa em sua embalagem as duas marcas. Foi feito uma pesquisa durante dois anos com seis mil consumidores para descobrir a melhor forma de introduzi-la no Brasil de forma a agregar valor ao atual portólio premium da companhia. Optou-se por fundir as marcas devido ao forte apelo de Carlton no Brasil, presente há 44 anos no mercado.
Ao contrário da Carlton, a opção de retirar a marca Capri do mercado explica-se devido a sua menor penetração no mercado. “Carlton vende nove bilhões de unidades por ano, enquanto que Capri vendia 40 milhões”, explica Marcelo Guimarães, gerente de marcas da Souza Cruz.
Já o lançamento da Vogue lida com uma oferta, na opinião da empresa, ainda inexistente no Brasil. “Pall Mall era um produto de preço médio, com vários concorrentes no mercado e Vogue chega como produto Super Premium, inspirado em Paris voltado ao público feminino. Com Pall Mall e Kent, acreditava-se que, por serem conhecidas internacionalmente, trariam uma velocidade de retorno mais rápida, mas não foi o que aconteceu”, ressalta Guimarães ao comparar o lançamento das três marcas.
Esforço no contato com varejistasAlém da internacionalização do portofólio como forma de agregar valor às suas marcas, os esforços tem se voltado à área de Trade Marketing. Se o ponto-de-venda já é a menina-dos-olhos de executivos das mais diversas companhias, isso é ainda mais forte para a Souza Cruz, já que este tornou-se o único ponto de contato da marca com seus consumidores. Uma das estratégias mais satisfatórias é a definição de um espaço definido para a comercialização de cigarros dentro do ponto-de-venda - o caixa -, e a restrição daquele espaço para divulgação.
O reforço no trade ficou ainda mais forte com o lançamento da revista Mais Varejo, editada pela companhia e voltada aos 250 mil varejistas clientes da companhia. A publicação trimestral, que teve seu primeiro número publicado em dezembro, traz textos com temas de interesses para os negócios, além de notícias sobre a Souza Cruz e seus produtos e outras informações sobre lazer.
“O exemplar é entregue em mãos a todos os nossos clientes. É uma forma de ter uma abrangência muito relevante ao atingir nossos varejistas, reforçando nossa marca, seus valores e objetivos entre eles”, diz Mauro Frota, gerente de desenvolvimento de Marketing da Souza Cruz.
Ações sociais para minimizar má imagem do cigarroOutra forma de contato são os programas de treinamento oferecidos pela Souza Cruz aos seus varejistas, em que são orientadas não apenas sobre como gerir os seus negócios, mas a também a promover os produtos da companhia. Ou ainda as visitas a diversos pontos-de-venda para conferir as necessidades e oportunidades para promover as vendas.
“Isso faz com que o varejo esteja comprometido com a venda de cigarro, tendo melhor conhecimento do produto e como organizá-los e apresentá-los aos consumidores”, diz Christopher Montenegro, presidente da Pop Marketing, agência responsável pelo trabalho da Souza Cruz no ponto-de-venda.
A Souza Cruz tenta combater a imagem ruim que a indústria de cigarros evoca em diversos setores da sociedade através de ações de responsabilidade social e ambiental, tendo em atividade 29 programas nesta área. “Acreditamos que quaisquer regulamentações e ações equilibradas que favoreçam o bom ambiente de convívio entre fumantes e não-fumantes é necessário e tem o apoio da Souza Cruz”, diz Jorge Araya, Diretor de Marketing da companhia.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Gifts promovem experiência com a marca



Para quem gosta de dizer que o Marketing vive inventando nomes para segmentos diversos dentro de sua atmosfera, o Mundo do Marketing foi atrás de mais um a fim de satisfazer este público e carimbar na lista um novo membro: Gifts. Mais conhecido em terras tupiniquins como “brinde”, este apetrecho do Marketing mais comum em promoções ou estratégias de relacionamento virou categoria no Festival de Cannes a partir de 2008.
Para falar em brindes no Brasil é indispensável citar a Coca-Cola e seus diversos gifts lançados todos os anos. Das mini-garrafinhas aos mini-craques da Copa do Mundo de Futebol em 1998, a marca mundial de refrigerantes comprova através de mais esta categoria ser uma fábrica de Ma
rketing.
Mais que um brinde, o “gift” é objeto de desejo para alguns consumidores e até colecionadores. Em pesquisa feita pela Ipsos, pessoas mostram gifts guardados em caixas cujo conteúdo é quase sempre de objetos com valor sentimental e particular de cada consumidor.
Fantasia, valor e vínculoA rede Giraffas aposta na diferenciação deste brindes para ganhar destaque no mercado de fast food. Ao contrário dos tradicionais bonecos licenciados do mundo do entretenimento, o Giraffas oferece ao público infantil objetos lúdicos que remetem a momentos de fantasia. “Desenvolvemos uma ação para a rede com o desenho animado Padrinhos Mágicos e, além dos bonecos, oferecemos uma varinha de condão. É um momento mágico das crianças”, conta Marina Pechlivanis (foto), sócia-diretora da Umbigo do Mundo em entrevista ao Mundo do Marketing.
Para cada objeto oferecido como brinde, o consumidor constrói um significado que pode mudar a percepção de valor. Alguns se transformam em amuletos, ganham poderes pela força da fé e assim tornam-se desejáveis por representar uma ação, um momento e também uma pessoa.
A força de um brinde está em diversos momentos do processo que o leva até o consumidor final. “O ritual de troca, por exemplo, é o contato feito para criar os primeiros vínculos entre marca e cliente. Assim como um link, o brinde conecta as pessoas com a empresa”, explica Marina durante o Giving Is Taking, evento realizado pela Associação de Marketing Promocional no Rio de Janeiro.
Gifts como ferramenta estratégicaUma das pioneiras a implantar a estratégia de gifts no Brasil, a Coca-Cola conhece este mercado a ponto de fazer uma simples tampinha de metal ser um objeto de desejo em todo o país. Em pleno século XXI a empresa ainda oferece as clássicas garrafinhas que no passado inspiraram colecionadores em todo o Brasil. De acordo com Luciana Feres, Diretora Executiva de Marketing da Coca-Cola Brasil, os gifts se transformam em objetos pessoas personalizados de diversas pessoas.
Apesar de ser uma ferramenta eficaz para tornar a marca cada vez mais amada pelo consumidor, é difícil um gift ser visto e usado da mesma forma por todos os consumidores. “Percebemos que existem itens da Coca-Cola decorando casas pelo Brasil, outros remetem os brindes ao estilo de vida americano, para outros tem um significado cultural ou um valor especial”, diz Luciana.
Assim como as garrafinhas de Coca-Cola eram usadas por meninas em brincadeiras de bonecas, o Yo-Yo fazia parte da pequena coleção de brinquedos dos meninos. Mensurar o valor de um contato como este com uma marca é uma tarefa que talvez não seja possível fazer com palavras ou números, mas para a companhia de refrigerante esta é uma ferramenta estratégica tem resultado positivo quanto o assunto é lembrança de marca e preferência pelo produto.
Pesquisa e idéias importadasEngana-se quem pensa que a Coca-Cola desenvolve gifts diferentes todos os dias, ou que a inspiração para criar brindes nunca acabe para os profissionais da empresa. Com um portfólio rico internacionalmente em promoções e gifts, é comum que as idéias sejam importadas, mas para implantar no país só depois de um minucioso trabalho de pesquisa.
Entre agências e banco de dados, a Coca-Cola desenvolve objetos valiosos para milhares de consumidores no país. “Não há biblioteca melhor para estudar do que as promoções que lançamos no mundo, mas só as pesquisas mostrarão se dará certo ou não no Brasil. Importamos algumas idéias e às vezes as agências também desenvolvem outras”, explica Luciana em entrevista ao site.
Quando uma agência está envolvida, o processo é simples e direto. “A gente oferece todo o repertório da marca, mostra o público que deverá ser atingido, e damos liberdade para que ela nos traga outras idéias. Com base em nosso banco de dados conseguimos avaliar qual será a aceitação comparando com outros resultados”, diz a Diretora Executiva de Marketing da Coca-Cola Brasil.
Gifts: o quinto mais aceito no BrasilPara conhecer e entender as tendências de mercado, a Ipsos realiza todo ano o Observatório de Tendências Ipsos. Informação e simplicidade devem estar integradas ao gift para que ocorra a hipervalorização da experiência com a marca. A pesquisa da Ipsos diz que a promoção mais aceita no mundo é o formato “Leve 3 Pague 2”, com 45% da preferência. O gift aparece em quinto lugar neste ranking das ações mais relevantes para o público.
Segundo Sonia Bittar, Diretora da área de Shopper & Retail da Ipsos Brasil, a América Latina é o continente onde o brinde tem maior importância para o consumidor em todo o planeta. “O Sudeste é a região que mais consome e lá o consumidor não aceita qualquer coisa. O sentimento quando ele recebe um gift é de que a marca deu algo de valor para ele”, diz Sonia durante o Giving Is Taking RJ.
De acordo com a pesquisa, no Brasil os consumidores preferem receber o brinde no ato da compra, desejam que seja um produto de qualidade, útil, gratuito e que haja opções de escolha. Com o cenário financeiro aguardado pelas empresas em 2009, os consumidores e colecionadores de gifts podem esperar por novidades. “No ano que vem a ferramenta promocional será muito usada porque entraremos em um ano de crise”, completa Luciana Feres, da Coca-Cola Brasil.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Consumidores compram menos, mas se esforçam para manter status




A crise mundial pode estar reforçando a atitude do consumidor em países desenvolvidos em preterir algumas categorias às quais não ignoravam em favorecimento de outras. É o chamado “trading up” e “trading down”, conduta que a The Boston Consulting Group (BCG), consultoria em estratégia e gestão empresarial, analisa regularmente há alguns anos em 14 países, quatro deles emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China.
O “trading up” consiste na tendência do comprador por pagar preços mais elevados por produtos com maior valor agregado. Esse tipo de compra movimentou nos Estados Unidos, em 2006, US$ 735 bilhões - ou 21% do consumo total naquele ano. Por outro lado, o “trading down” é a prática de pechinchar em outros segmentos de bens e serviços para compensar o gasto maior em outros, sendo responsável por US$ 1,2 trilhão em compras dos americanos – 51%.
Esses dados levaram as companhias com produtos fora dessa tendência, ou seja, sem produtos com valor agregado ou preço atraente, a se espremerem em um buraco negro cada vez mais estreito: se em 2004 respondiam por 51% do consumo nos Estados Unidos, o número baixou para 46% em 2006.
Comportamento é reflexo de conjuntura sócio econômicaPara entender melhor esse comportamento e servir como referência às marcas, a BCG entrevistou 21 mil consumidores sobre 117 categorias de produtos e traçou o seu comportamento em relação a gastos diários e relação com a natureza, moradia e energia.
O levantamento reforçou a consolidação dessa tendência, que seria guiada de acordo com a conjuntura sócio-econômica global, incluindo aumento da qualidade de vida e educação, a influência da mulher no trabalho e o crescimento do varejo focado em preço baixo.
As categorias escolhidas para o “trading up” são aquelas que agregam maior valor emocional e que os caracterizem dentro da sociedade, expressando seu estilo pessoal. Para isso, são preferidos produtos que continuamente agreguem inovação e alta diferenciação, com a maior parte dos entrevistados escolhendo uma ou duas categorias para essa prática, de forma a transparecer ostentação.
Pesquisa ordenou conceitos de valor dos consumidoresPara compensar o luxo, os consumidores gastam menos em outras categorias não apenas por uma questão de economia, mas também de consciência, já que se vêem gastando sabiamente e sem exageros. As categorias escolhidas pelos consumidores nessa tendência diferem de região para região. Na China, Japão e Russia, fast-foods e lanches então entre os mais citados, enquanto que nos Estados Unidos e Europa, além da própria nação nipônica, são bastante citados serviços postais e de telefonia celular.
O estudo separou os atributos de um produto em ordem de agregação de valor. O menos valorizado, curiosamente, é o preço, seguido de conveniência, embalagem, qualidade, design, entre outros quesitos inerentes ao produto em si. Em seguida vêm a segurança reforçada pela marca do produto, sua consistência e serviços de pós-venda. Já os conceitos mais valorizados são os intangíveis, como sensação de status e influência, seguidos do valor integrado do ponto-de-venda e ações de Marketing no momento da compra.
Crise reforçará o “trading down”Os países emergentes diferem dos países desenvolvidos quanto à propensão de gastos. Enquanto que europeus, japoneses e americanos estão privilegiando compras de “trading down”, os chineses, indianos e russos estão privilegiando compras de “trading up”. O Brasil, por sua vez, se destaca na primeira tendência, o que pode ser explicado, segundo a Boston Consulting Group, por uma preocupação dos brasileiros em relação à economia instável do país, além da preferência por comprar em promoção.
Com a crise, os consumidores se dizem preocupados com a redução do poder de compra, como afirmam mais de 60% dos entrevistados na Europa e no Japão e 44% na Rússia, por causa do aumento no preço dos alimentos e dos combustíveis. Levando isso em conta, a BCG acredita que a prática do “trading down” seja ainda mais reforçada, já que os consumidores vão precisar comprar menos, ao mesmo tempo em que não querem perder status na sociedade.

Pré-sal atrai novos investidores


Marcello Casal /ABr PETROBRAS - Lobão disse que os chineses ofereceram US$ 10 bilhões para investimento na exploração do pré-sal14/12/2008 - Tribuna do Norte Brasília - Chineses, árabes e até as reservas internacionais brasileiras são candidatos a financiar os investimentos da Petrobras na exploração do óleo no chamado pré-sal. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse que os chineses ofereceram US$ 10 bilhões. Os Emirados Árabes também acenaram com recursos de seu fundo soberano. Se necessário, acrescentou Lobão, parte das reservas internacionais brasileiras poderão ser emprestadas à Petrobras. “É uma possibilidade. É uma decisão do governo. Se a Petrobras, um dia, vier a precisar, socorreremos com essas reservas. Elas estão lá, paradas”, disse. “Há essa intenção. São reservas que estão lá, à nossa disposição, e que podem ser sacadas a qualquer momento.” Ele assegurou que o volume utilizado não colocaria a economia brasileira em risco. Nos bastidores, Lobão vem defendendo o uso das reservas para financiar o pré-sal desde antes do agravamento da crise internacional, que tornou o crédito mais escasso e caro. A idéia não encontra consenso na área econômica. Porém, segundo o ex-diretor financeiro da Petrobras e ex-diretor do Banco Central Carlos Thadeu de Freitas, ela não é ilegal nem inédita. No final dos anos 1980, a estatal tinha dificuldades em obter dólares para importar petróleo, como reflexo da moratória brasileira de 1987. Para resolver a situação, o BC passou a aplicar parte das reservas nos estatais Banco do Brasil e Banespa, que por sua vez aplicavam os recursos em títulos de dívida emitidos pela petrolífera no exterior. O ministro disse que os estudos técnicos sobre o novo marco regulatório do petróleo, com vista à exploração do pré-sal, estão prontos. Lobão disse acreditar que o plano estratégico da Petrobras será divulgado ainda este ano. “A Petrobras tem um planejamento de US$ 113 bilhões (de investimento). É um planejamento que se atualiza ano a ano”, disse. “Para surpresa dos senhores, até pode ser um planejamento mais alentado, com recursos mais elevados.” A revisão do preço dos combustíveis, disse Lobão, só será feita quando a cotação do petróleo se estabilizar. “Quando o (preço do) petróleo aumentou desordenadamente para US$ 145,00 o barril, não houve elevação do preço aqui. Portanto, quando baixa, agora, é preciso que se tenha calma, para que a Petrobras examine com cuidado esses números todos”, afirmou.Revisão só com petróleo estávelBrasília - O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, afirmou que só será possível pensar em uma revisão dos preços dos combustíveis no Brasil em razão da redução do preço internacional do petróleo quando este se estabilizar. “Quando o (preço do) petróleo aumentou, desordenadamente, para US$ 145,00 o barril, não houve elevação do preço aqui. Portanto, quando baixa, agora, é preciso que se tenha calma, para que a Petrobrás examine com cuidado esses números todos”, afirmou Lobão. A cotação internacional do petróleo, na semana passada, esteve em torno de US$ 41,00. O ministro disse acreditar que chegará um momento em que o preço se estabilizará. “É nesse momento que a Petrobrás terá que se manifestar. Mas, enquanto o preço estiver subindo e descendo, é cedo. Além do mais, os preços aqui não sobem há três anos. Por que baixar agora?”, disse o ministro. Ao ser lembrado de que, no ano passado, houve aumento no preço dos combustíveis no País, o ministro afirmou: “No ano passado, não foi aumento. Foi uma pequena compensação, e o consumidor sequer pagou.”

domingo, 12 de outubro de 2008

O que a crise tem a ver com você



12/10/2008 - Tribuna do Norte Vinícius Albuquerque - Repórter
Enquanto especialistas de todo mundo tentam iluminar o escuro buraco que se formou na economia mundial e enxergar o fundo de uma crise que afeta bolsas de valores e caixas de governo, o consumidor comum torce o nariz diante das notícias que parecem ter pouco a ver com ele. Porém, apesar de declarações negando que o Brasil sofreria com a recessão, ela já chegou ao país. E não atingiu só na Bovespa (a bolsa de valores de São Paulo, a maior da América Latina); está no dia-a-dia, mais perto do que se pode imaginar. Do pão francês com margarina do café-da-manhã, passando pelo carro financiado e até mesmo na viagem de férias, todo o consumo pode sofrer as implicações das mudanças que se anunciam.O presidente Lula até tentou tirar o Brasil do jogo mundial da globalização: “Crise? Pergunte ao Bush”, afirmou em uma de suas entrevistas. Em seguida, afirmou que os efeitos no país seriam “quase imperceptíveis”. Por fim, declarou que a crise era “séria e profunda”. O economista Zivanilson Silva, especialista na área de globalização, condena a postura: “Não se pode dizer que o Brasil está blindado da crise internacional”. Ele explica que o país será sim influenciado pela recessão mundial. E os problemas chegam ao consumidor comum – aquele que não investe em ações, mas que está atento ao preço do feijão na prateleira do supermercado - embora ele não perceba ou não relacione alguns acontecimentos com a conjuntura internacional.Silva explica que o primeiro afetado será o crédito, o que de fato já está acontecendo. Isso atinge principalmente as compras de eletrodomésticos, imóveis, veículos e outros produtos que explodiram em consumo nos últimos meses graças ao “milagre econômico”. Outra mudança é com relação aos prazos das prestações. “A quantidade de parcelas começam a ser cada vez menores para evitar riscos”. Os juros também estão aumentando, fator que tem sido percebido, principalmente, no comércio de automóveis.Mesmo assim o diretor regional da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave RN), Tomás Filho, diz que ainda é cedo para fazer qualquer análise. “O mercado ainda está especulativo, tem muita coisa acontecendo e as pessoas têm muito medo do que vem pela frente”. Segundo ele, alguns bancos já subiram a tabela de juros que atualmente são praticados de 1,6% a 2% ao mês. As prestações passaram de 72 para 60 meses. “Isso já vinha acontecendo há uns quatro meses, por reflexo de outras situações. Não sabemos dizer quais serão os efeitos daqui há duas semanas”.
DólarDurante meses seguidos, a moeda americana em baixa viveu uma depreciação em relação ao Real. O dólar chegou a patamares abaixo de R$ 1,70 provocando euforia de compras de importados que ficaram com preços mais baratos. Porém, a festa do consumo acabou há algumas semanas. O câmbio voltou a subir e, na data de fechamento desta edição, chegou a R$ 2,30.Por isso, quem quer comprar artigos como MP3 players e notebooks precisará correr se quiser encontrar produtos ainda com um bom preço. Não se sabe em quanto tempo, mas os importados fatalmente voltarão a subir.O abalo não será apenas nos eletrônicos. Alimentos comuns no dia-a-dia poderão ter variações positivas de preço. É o caso do pão francês e a margarina, visto que 50% do trigo consumido pelo país – matéria-prima destes dois produtos - é importado. Os moinhos já deram sinais de preocupação esta semana, mas a representação local do Sindicato da Indústria de Panificação no Estado (Sindipan RN) diz que ainda é muito prematuro para falar em alterações no preço. “O setor vive um momento de instabilidade. Com a crise monetária internacional e a alta do dólar, vários insumos da panificação devem sofrer reajustes. Não sabemos até quando essa situação irá se prolongar, por isso devemos nos preparar para superar esses desafios”, informou o presidente da entidade, Evandro Galdino, através de sua assessoria de imprensa.Clima é de incertezas, dizem especialistasMesmo observando que a crise já está presente e provoca mudanças no cotidiano de compras, o economista Zivanilson Silva explica que é ainda não é possível prever quando chegaremos ao fundo da crise. Ou seja, este momento que já assusta os mercados pode não ser o pior. “Podemos chegar a uma recessão semelhante a de 1929”, cita lembrando a quebra das bolsas de Nova York que, de tão marcante, virou assunto hoje dos livros de História.O consultor Renato Garcia, da RGarcia Consultoria, também destaca que este é um momento de incertezas. “Não é possível prever até onde a crise se estenderá. Na verdade, só há uma certeza neste momento: todas as previsões se mostrarão erradas”. Ele explica que, a razão para que tudo ainda esteja em um campo obscuro, é que as medidas tomadas pelos governos e bancos centrais mundiais levarão tempo para surtir efeito. “Como essa crise é inédita, ninguém realmente sabe quanto tempo levará”.Ele faz também outra análise sobre o efeito para os empresários. “O crédito será afetado pela escassez de dinheiro na praça e pelo alto custo desse dinheiro. Portanto, com o crédito para o consumo mais escasso e caro, as vendas cairão trazendo as conseqüências previsíveis”.
CuidadoRenato recomenda ao consumidor cautela. “Esta postura é sempre a melhor nesse momento. Novos endividamentos são desaconselháveis, mas os investimentos previstos não devem ser revistos até que o cenário econômico geral fique mais claro”.Zivanilson Silva também orienta um caminho de prudência. Para quem gostaria de financiar um carro ou comprar um produto a prazo, ele sugere uma boa entrada, para reduzir as prestações que já ficarão altas com a diminuição do número de parcelas.Alimentos sofrerão com a criseObservar o andamento dos preços nas prateleiras do supermercado pode ser um bom exercício para quem quiser evitar que a crise econômica atinja o orçamento familiar. A repercussão dos problemas mundiais ainda não foi observada de maneira explosiva no varejo, mas pode chegar nas próximas semanas. Para o diretor comercial da Rede Mais, Eugênio Medeiros, se houverem as alterações nos preços poderão vir em cerca de 30 dias.“Por enquanto, não observamos nenhuma mudança e nem sabemos se ela virá. Pessoalmente, acredito que haverá uma repercussão”, declara. Medeiros explica que, pelo fato do setor trabalhar com estoques, a alteração não deve ser súbita. Um ponto importante que deve ser observado é que os produtos da cesta básica – segundo pesquisa do Procon Municipal – vêm aumentando nas últimas semanas e já acumulam alta de 2,18% em 30 dias.Porém, Eugênio Medeiros argumenta que o fenômeno da alta dos produtos não é de hoje. “Há uma crise dos alimentos mundial onde faltam produtos como soja, trigo e arroz, por exemplo. As produções não acompanham o consumo e preço sobe. O que estamos vendo é que, com o problema nos Estados Unidos, isso pode continuar”.Ele revela que nesta semana, os fornecedores já sinalizaram com aumentos no preço da carne. O reajuste já era esperado, mas o diretor comercial da Rede Mais declara que não é possível avaliar até onde a mudança tem ligação com a crise. Entretanto, ele é categórico: “a não ser que o mercado se recupere rapidamente, como os governos estão esperando, os alimentos vão sofrer”.
Comércio exteriorO efeito mais imediato deve vir para os produtos importados. O empresário anuncia que, se a situação se prolongar, provavelmente a mesa da ceia de Natal estará mais cara este ano. Itens como bacalhau, vinhos, azeites e frutas compradas no exterior, certamente, estarão mais caros com o dólar valorizado.Por outro lado, itens que o Brasil costuma exportar para os Estados Unidos como sucos, castanha de caju e lagostas poderão ter o preço reduzido, favorecendo o consumidor brasileiro. Isso ocorre também com outros itens da pauta de exportações e é provocado porque muitos empresários que exportam já começaram a perceber a retração do mercado externo em todo mundo. Para não terem prejuízo estão vendendo seus produtos no mercado interno, deixando-os no mesmo patamar de artigos mais básicos. O fenômeno já vem ocorrendo em alguns estados, mas ainda não foi observado aqui no estado, segundo Eugênio Medeiros.Viagens para o exterior são antecipadasCom a escalada rápida do dólar, viajar para o exterior pode deixar de ser uma das novas conquistas da classe média brasileira. O valor do câmbio em alta está deixando as viagens menos atrativas a cada dia que se passa. Mas, ao contrário do que se esperava um movimento intenso tem sido registrado nas agências de viagem nas últimas semanas. Isso porque, para fugir de preços ainda mais altos, os turistas estão apressando a compra dos pacotes.A presidente da regional da Associação Brasileira das Agências de Viagem (Abav RN), Ana Carolina Costa, declara que o brasileiro tem memória curta. “No ano passado, nessa mesma época, o dólar estava em torno de R$ 2,08. O que aconteceu é que a moeda caiu muito nesse ano e as pessoas se assustaram com alta súbita”. Ela confirma a “corrida” dos interessados às agências, além dos indecisos que – temendo novas altas – estão cancelando os planos de viajar.Ana Carolina diz que a torcida dos empresários é para que a moeda não continue a aumentar. Ela relata que, mesmo com a crise, o mercado turístico no Nordeste voltou a ter atrativos para quem deseja conhecer a terra do Tio Sam. Recentemente, dois vôos das empresas American Airlines e Delta tiveram a confirmação de que voltarão a operar em Recife e Fortaleza. “São vôos diretos para os Estados Unidos que o Nordeste tinha perdido e voltam em novembro e dezembro”, afirma a presidente da Abav. Outra mudança é que o Consulado americano aumentou o número de diplomatas no órgão para atender a grande demanda de brasileiros que estão viajando par aos EUA. De acordo com Ana Carolina, também está se cogitando aumentar a validade dos vistos de cinco para dez anos. Caso haja quedas, ela explica que as agências terão prejuízo com o turismo internacional. Desde a queda do dólar, houve um incremento de 30% no setor de pacotes turísticos internacionais. “Não acredito que se tiver algum prejuízo seja na mesma proporção. Ainda tem preços bons para viajar”, avalia.